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forte em São Martinho do Porto

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Confesso que não é muito o meu hábito fazer grandes recolhas de informação sobre os sítios para onde vou de férias. Mea Culpa!

Chegados a São Martinho do Porto, fomos na nossa boa fé, ao posto de turismo. Deram-nos um mapa, que bem podia ter 30 anos. Para mal dos nossos pecados, indicaram-nos apenas o miradouro.
Depois de uma análise detalhada (e rápida), voltámos pensando que não era possível ser só aquilo. Quando perguntamos por sítios arqueológicos, as senhoras simpáticas do posto de turismo engoliram em seco. Não há nada!

Felizmente, apesar do mau hábito de não preparar detalhadamente os passeios pelo país, tinha feito uma pesquisa rápida, em casa, antes de sair.  Na falta de mais, perguntámos directamente pelo pouco que sabíamos existir, uma vez que não nos faziam menção deles, nem por informação oral nem por panfleto turístico.


Hoje começo por vos apresentar o Forte de São Martinho do Porto (?). Já procurei no site do IGESPAR, no monumentos.pt e fiz uma pesquisa geral pela internet e continuo no escuro...

Não existe (!) nas bases de dados de património do estado, nem tão pouco pela internet.
Há apenas breves referências ao facto de pertencer a um complexo composto por várias fortificações, cuja cabeça era Peniche.


Este complexo surge com a Restauração da independência nacional, a 1 de Dezembro de 1640 quando teve início um ambicioso programa de fortificação das fronteiras do reino, de forma a precaver uma possível reconquista espanhola. Tentando evitar uma invasão hostil à nacionalidade que poderia ter uma componente de desembarque por via marítima, motivou a fortificação da costa portuguesa, através da construção faseada de um amplo sistema defensivo.

Tal sistema defensivo teria tido nova importância, já no século XIX, altura em que a Fortaleza de Peniche, praça militar chave, teve especial importância no palco das guerras liberais.



Este é o contexto, mas sobre o forte em si, pouco ou nada vos posso dizer, a não ser que está em ruínas, existindo apenas dois pequenos panos de muralha a ocidente e a oriente. Existem ainda nas imediações um farolim e um edifício contemporâneo já em ruínas.

Alguém que me saiba dar mais informação sobre este forte, agradeço, desde já.

Já tem sido hábito pelos locais que visito haver sinalização, que embora por vezes deficiente, como pode ver aqui, por exemplo. Mas pelo Oeste não vimos qualquer cuidado em mostrar o património cultural, à excepção dos casos emblemáticos, como por exemplo Alcobaça ou Óbidos.

No local apenas nos cruzámos com estrangeiros, o que já tem sido hábito. Na hora do calor onde estão os portugueses? Na praia a torrar? Lá em cima a brisa do mar era bem fresquinha!

À jorna

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Já lhe falei do Castro de Monte Padrão, com 3 ocupações distintas, aqui, aqui e ainda aqui. Hoje venho falar novamente do sítio, mas sob outra perspectiva.
Carlos Faya Santarém foi o responsável pela escavação arqueológica, entre 1951 e 1956, na face Norte da plataforma superior do castro do Monte Padrão, onde foram intervencionados dois edifícios de época romana, uma casa circular da Idade do Ferro e parte da muralha.


Na altura a metodologia era outra (tudo tem a sua época), mas os instrumentos repetem-se. Ainda hoje nos valemos de picaretas, enxadas e outros que tais. Existem, claro, outros menos agressivos, seja para o registo mais detalhado, seja para as costas; como é o caso do colherim ou do pincel.

Fora de época poderão parecer estas mulheres, que à jorna, auxiliaram as escavações, pegando em enxadas e carregando baldes de terra. Mas a mulher nos anos 50 já sujava as mãos de terra e já se agarrava às lides do campo, ganhando o seu dia e o seu copo de vinho também. 
Estas senhoras tiveram a sorte de mexer, de tocar, de ver de perto como viveram os seus antepassados. Quantas histórias teriam para contar! Eu gostava de as ouvir!




O que é engraçado é que as(os) Arqueólogas(os) também trabalham à jorna, também ganham ao dia, debaixo do mesmo sol, mas com algumas diferenças. Fazem-no depois de muitos anos atrás de qualificações académicas, passam recibo verde, estão longe de casa e sem direito, na generalidade dos casos, a uma bucha.

Fotos por AC tiradas aos painéis explicativos, que se encontram no Castro de Monte Padrão

Os Salteadores do Museu Escondido - Maria José Almeida

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Notícia retirada na integra de Mouseion - Museus e Museologias:


"Não me lembro quando terei entrado no Museu Nacional de Arqueologia (MNA) pela primeira vez. Cresci em Lisboa e a minha mãe sempre teve nos museus da cidade poderosos aliados contra o tédio de quatro crianças – mais primos e amigos de visita – nos longos verões escolares dos anos 70. Devo ter ido ao MNA pela primeira vez em criança e não me lembro.

Mas lembro-me bem quando entrei pela primeira vez na reserva do MNA. Estava na faculdade e um dos professores levou-nos em “visita de estudo” ao MNA. Recebeu-nos o então director, Francisco Alves, que nos fez uma visita colorida e pitoresca, da qual recordo comentários dramáticos proferidos (fisicamente) sobre restos osteológicos provenientes do naufrágio do navio S. Pedro de Alcântara. Mas o golpe de teatro estava reservado para o fim. Concentrou todos os estudantes junto da modesta porta da reserva e, rindo muito com aqueles olhinhos pequenos, disse: “Lembram-se da cena final do filme Salteadores da Arca Perdida?”, e escancarou a porta.

Entrei muitas vezes na reserva do MNA depois disso, mas nunca vou esquecer a imagem que vi nesse dia. Era, efectivamente, uma imagem épica digna de Hollywood mas para mim foi a primeira imagem, real, de um museu. Por dentro, pelas entranhas, pela alma. Pelos serviços técnicos, portanto.

Reformular, e eventualmente relocalizar, o MNA é urgente. Urgência com décadas de atraso, mas nem por isso menos necessária. Do MNA já se disse que era o maior sítio arqueológico português mas só quem alguma vez lá trabalhou tem noção do que isso quer dizer: cem anos de erros insignificantes acumulados podem significar que, para encontrar alguma coisa, se tenha que recorrer a métodos e técnicas próprios da disciplina. O manancial de informação que o MNA contém é brutal e o que se encontra bem conhecido e estudado é um grão de areia, senão no deserto do Saara, pelo menos na praia da Figueira da Foz. E não falo apenas de artefactos, utensílios e ecofactos recolhidos em sítios arqueológicos. Falo num mundo de documentação nos mais variados suportes – incluindo naturalmente os “objectos arqueológicos” – que representa informação essencial para a construção da nossa memória colectiva.

Aresponsabilidade com que deve ser encarada a reforma deste museu deve ser proporcional à informação que ele guarda. Por isso custa tanto pensar que a anunciada transferência do MNA para o edifício da Cordoaria possa estar a ser encarada como uma manobra política sem a necessária fundamentação técnica. Sei que a Ministra da Cultura visitou o MNA recentemente e acredito que o actual director a tenha levado também à reserva. Terá ela visto o mesmo que eu? Terá ela noção de que tirar aquilo dali não é exactamente a mesma coisa que contratar os “Unidos da Transportadora” para fazer uma mudança doméstica?

A mudança do MNA pode ser uma oportunidade fantástica. O oportunidade de reformular o museu com a dignidade que ele merece. A oportunidade de organizar todo aquele mundo de informação de uma forma eficaz e operativa: para nós e para quem precisar do MNA depois de nós. A pergunta que qualquer cidadão responsável deve fazer é se o Ministério da Cultura tem consciência das implicações técnicas – e, já agora, financeiras – de transformar esta oportunidade em realidade. Ou se prefere ignorá-las e decidir irresponsavelmente sobre a casa que guarda uma parte tão significativa da nossa memória. Enquanto não tiver a certeza que o Ministério da Cultura vai tratar o MNA de uma forma responsável esta cidadã, pelo menos, não vai ficar descansada."


Maria José de Almeida (arqueóloga)
2010-03-31

Museu Nacional de Arqueologia: mudar, só para melhor

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[esclarecimento apresentado durante as VIII Jornadas de Primavera do ICOM Portugal, 29 de Março de 2010]



"Uma vez que foi anunciada a intenção de fazer transitar rapidamente o Museu Nacional de Arqueologia (MNA) para a Cordoaria Nacional (CN), destinando-se o espaço dos Jerónimos à ampliação do Museu de Marinha ou a um novo museu, o Museu da Viagem, julgo já ser altura de dizer o que penso sobre o assunto. A tal me conduzem os deveres que tenho para com os visitantes, o Grupo de Amigos do MNA, as comunidades científicas e museológicas a que pertenço e sobretudo para com a minha própria consciência pessoal. Vejo, aliás, que o tema mobiliza as comunidades da arqueologia, da museologia e do património e começou a interessar os media. Ainda bem, porque o futuro de uma instituição centenária desta natureza é um assunto de cidadania, que ninguém poderia esperar, muito menos desejar, ficasse escondido dentro de gabinetes.

Como tenho repetido noutras ocasiões (v. por exemplo Publico, 23-12-2006), não sou, em absoluto, contra a transferência do MNA para outras instalações. Pertenci a equipas que procuraram essas alternativas e elas chegaram a estar prefiguradas em sucessivos PDMs de Lisboa (Alto do Restelo, Alto da Ajuda, terrenos anexos ao CCB, etc.). Tendo falhado todas estas hipóteses, optei na última década – e como eu todas as direcções do Instituto de tutela - por estudar, primeiro, e depois propor projectos de arquitectura muito sólidos, da autoria de Carlos Guimarães e Luís Soares Carneiro, alicerçados em sondagens e estudos geológicos realizados sob supervisão do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), visando a ampliação do MNA nos espaços já ocupados nos Jerónimos. Estes estudos e projectos foram desde 1998 acolhidos por todos os governos que precederam a actual legislatura e chegaram ser formalmente adoptados por um primeiro-ministro, que anunciou o calendário da sua execução.

Não posso deixar de considerar ser pena que se deitem agora à rua as dezenas, ou porventura centenas, de milhares de euros assim gastos. Mas, enfim, se a opção é de mudança de instalações, então o que importa assegurar é que ela seja claramente para melhor. Não podendo ser para edifício novo, pois que seja para um edifício histórico prestigiado, bem situado e sobretudo adequado às necessidades de um museu moderno, mormente daquele que é um dos mais visitados do Ministério da Cultura, o que possui colecções mais volumosas e vastas e ainda o que tem maior número de bens classificados como “tesouros nacionais”. E já agora, quanto ao espaço deixado livre nos Jerónimos, que se execute nele um projecto cultural que realmente valha a pena e honre a Democracia.

Ora, devo confessar que, não obstante a atitude positiva que sempre tenho em relação à mudança, o espírito construtivo e colaborante a que minha posição funcional me obriga e ainda a esperança que depositei na orientação política traçada pela actual Ministra da Cultura, tenho agora dúvidas que estes desideratos sejam de facto assegurados.

Em Novembro e Dezembro passados, após reuniões tidas com a tutela do MNA e directamente com a senhora Ministra da Cultura, foi traçado um caminho que me pareceu e continua a parecer sério e viável, a saber:

-mandar executar estudos geotécnicos, sob direcção de entidade idónea (que a senhora ministra anunciou à imprensa ser o LNEC), garantidores da viabilidade e condições de instalação do MNA na CN; destes estudos resultariam as obras de engenharia que fossem consideradas como condições prévias a qualquer projecto de arquitectura;

-execução de um projecto da arquitectura arrojado, respeitador da Cordoaria (ela própria classificada como monumento nacional e merecedora de todo o respeito) e do programa museológico do MNA;
-afectação de toda a CN ao MNA, reconfigurado institucionalmente de modo a incluir alguns serviços de arqueologia do Ministério da Cultura que nele poderiam desejavelmente ter lugar;
-não instalação antecipada na CN de serviços do MC, de modo a que o espaço estivesse totalmente disponível para a execução do projecto de arquitectura; correlativamente, não havendo necessidade de ocupação da CN por parte da Cultura, não entrega adiantada à Marinha de espaços nos Jerónimos, mantendo aqui o MNA toda a sua capacidade operacional, até que pudesse ser transferido para a CN, em boa e devida ordem.

Nos últimos dois meses parece que toda esta estratégia foi abandonada, sem que se perceba muito bem porquê. Talvez apenas pelo que se quer fazer nos Jerónimos e não propriamente pelo interesse na melhoria do MNA. Importa recordar que a ideia de afectar o sector oitocentista dos Jerónimos em exclusivo à Marinha, de forma clara (ampliação do Museu de Marinha) ou encapotada (Museu da Viagem, colocado em instalações alienadas para a Marinha, bem diferente do que seria um tal museu antropológico e civilista, sob tutela exclusiva da Cultura), limita-se a ressuscitar o antigo projecto do Estado Novo, sob impulso do almirante Américo Thomaz, que teve golpe de finados quando o Conselho da Revolução, em Janeiro de 1976 (no rescaldo do 25 de Novembro e quando País corria o risco de uma deriva cesarista), entendeu publicar um decreto hoje risível, no qual se impunha a transferência para a Marinha de todos os espaços dos Jerónimos não afectos ao culto. É irónico que este projecto seja retomado agora, mas… é a vida. Na condição em que subscrevo este texto, apenas me cumpre assinalar esta entorse cívica. Todavia, na mesma condição, cumpre-me mais, cumpre-me denunciar a extraordinária situação para que um museu mais do centenário e um acervo tão vasto e estruturante para o País são atirados, tratados como meros empecilhos para que uma opção política de regime possa rapidamente ser executada. Em ditaduras terceiro-mundistas não se faria diferente.
Quanto ao edifico da CN o problema não é tanto político mas técnico e altamente complexo, fazendo todo o sentido os cuidados na sua abordagem, acima sumariados. Trata-se de uma proposta que tem meio século, ressurge ciclicamente e foi sempre recusada com base em pareceres técnicos credíveis. Mudaram entretanto as circunstâncias ? Talvez. Mas apenas se alguém com competência bastante puder agora garantir a inexistência ou o adequado controlo dos riscos sísmicos, de inundação, impacte de marés, etc. que são reconhecidos naquele preciso local (edificado sobre o estuário do rio Seco num local, “Junqueira”, que significa pântanos de juncos) e arriscam conduzir a uma catástrofe para o acervo histórico nacional que o MNA guarda. E se outro alguém garantir depois a mobilização dos meios financeiros suficientes para a profunda requalificação do quarteirão inteiro da CN, onde nalguns sectores se verifica uma quase ruína e noutros as coberturas são em telha vã, os pavimentos são irregulares, estão saturadas em sais marinhos, etc., etc. Ora, a única coisa que até aqui me foi apresentado em sentido tranquilizador, foi um parecer dado a título individual por um antigo técnico LNEC, certamente competente, mas que não responsabiliza mais do que o seu autor. O Grupo de Amigos do MNA obteve estudo de outro técnico muito credenciado e que vai em sentido contrário; eu próprio recolhi pareceres de dois dos mais reputados especialistas portugueses em engenharia sísmica – e todos concordam em alertar para o risco efectivo e elevado que existe no local da CN.

Talvez assim se compreenda melhor porque atribuo a esta matéria tanta importância. Talvez se entenda porque não posso em consciência, neste momento, considerar como definitivamente adquirida a transferência do MNA para CN. E, por outro lado, também assim talvez se possa melhor perceber porque considero inaceitável executar desde já o despejo de parte do MNA nos Jerónimos – situação que seria sempre anómala (e desnecessária, porque não existem agora pressões para colocar quaisquer serviços da Cultura na CN), porque o que faria sentido, conforme o acordado inicialmente, era que o Museu apenas desocupasse os espaços actuais quando mudasse de instalações, após as obras profundas de arquitectura a que a CN deverá inevitavelmente ser submetida.

Continuo, pois, a aguardar a apresentação pública de estudos que garantam a segurança do acervo do MNA na CN. Aguardo, logo depois, a abertura de concurso público ou o convite a arquitecto consagrado para desenvolver o projecto que se impõe, tudo isto sem esquecer os estudos urbanísticos da zona envolvente, de modo a precaver, e potenciar, o fluxo das várias centenas de milhar de pessoas que passarão anualmente a frequentar uma zona em que se irão colocar lado a lado os dois mais visitados museus do Ministério da Cultura.
No entretanto, o MNA continuará a servir da melhor forma que puder os seus utilizadores, no cumprimento do programa cívico que Leite de Vasconcelos concebeu e Bernardino Machado adoptou. As iniciativas públicas já tomadas em torno do futuro do MNA, com especial relevo para o espírito combativo demonstrado pelo nosso Grupo de Amigos e para os oferecimentos de activa solidariedade por parte de personalidades as mais diversas, das associações científicas e profissionais, das universidades e das autarquias, reconfortam-me e dão fé de que a sociedade civil não está adormecida."

Luís Raposo



Director do Museu Nacional de Arqueologia, 29 de Março de2010.
 
 
Apelo a todos que tomem consciência e assinem a petição proposta pelo ICOM aqui.
Para seguirem mais de perto podem visitar o blogue do Grupo de Amigos do Museu Nacional de Arqueologia: GAMNA.
 
O Património Arqueológico é de todos e está em grave risco! Chega de barbaridades!!

Portugal - Retrato Ambiental, País de contrastes

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Mas mimo, mimo é este! Infelizmente são poucos os vídeos do programa da Luísa Schmidt, notável Sociologa de Ambiente, que se encontram online. Passou na RTP1 em 2004. Merecia passar outra vez!




Descreve-o assim a RTP:
"O Ambiente já não é o que foi, e cada vez menos como devia ter sido. A série "Portugal, um Retrato Ambiental" conta a história dessa evolução. Em quatro episódios, com a ajuda de imagens captadas pela RTP durante mais de quarenta anos, actualizadas por imagens de hoje, Luísa Schmidt entrevista os protagonistas e faz o retrato ambiental do país a estragar-se... Mas também de uma consciência ambiental cada vez mais forte. Degradação da paisagem, poluição dos rios, ares irrespiráveis, lixeiras, incêndios... Mas também um povo cada vez mais empenhado em recuperar a sua herança."



Portugal - Retrato Social

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Resume-se assim:
"Portugal já não se distingue, na Europa, como o país da ditadura, da pobreza e do analfabetismo. Embora ainda atrasado, os Portugueses são hoje cidadãos livres e têm acesso aos grandes serviços do Estado de Protecção Social. A educação, a segurança social e a saúde são para todos. Mas ainda há insuficiências, corrupção e desperdício. E deficiências na saúde, na educação, na segurança social e na justiça."

Um mimo! Com música de Rodrigo Leão. Para conhecer as diferenças do nosso país, antes e depois da ditadura!
Passou de fugida na RTP 2 e pode ser visto aqui.

Valorização de Sítios Arqueológicos - Diagnóstico de Sustentabilidade

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Não podemos negar que já são evidentes inúmeros projectos de valorização de Sítios Arqueológicos. Tantas são as Rotas, os Percursos, os Restauros, os Centros Interpretativos, os Museus. São vísiveis os esforços de valorização do Património, de Norte a Sul, de Oriente a Ocidente... é tanta a acção, mas estará a ser Sustentável?

Também é de Norte a Sul que já transpira um desgaste, discretamente falando, dos sítios arqueológicos, após um uso que resultou da vontade de o conhecer e levá-lo às pessoas. Creio que resulta de boa vontade de alguns, mas por não chegar a muitos, acaba mais depressa por desaparecer.
Exemplo disso são as notícias que se ouvem falar sobre o vandalismo à arte rupestre; são os parques de picnic feitos sem acompanhamento arqueológico em castros; são sítios arqueológicos que são escavados e não são dados a conhecer resultados, tao pouco à comunidade cientifica, muito menos às pessoas; são locais cuja sinalização ficou abandonada; são assentamentos arqueológicos assinalados em roteiros, onde nada se vê à superfície a não ser muito mato, nunca tendo sido alvo de estudo; são locais que servem para andar de moto quatro; são locais que servem para alimentar a gula dos detectores de metais... e por aí fora.


 Exemplo de arte paleolítica do Poço do Caldeirão, junto ao Rio Zêzere.

O mesmo local depois de inserido no Centro de Interpretação da Barroca,devidamente sinalizado e com acesso facilitado. Um novo motivo circular surge gravado!

Cremos que também faz parte da técnica arqueológica colocar as questões certas, para lançar propostas de análise, de modo a chegar a resultados, nem que sejam na base da probabilidade.
Era necessário existirem indicadores... as respostas para as perguntas que vos fazemos agora, ainda não existem!


Para começar urge fazer um diagnóstico, urge saber o estado da coisa!

Proposta de Indicadores de Sustentabilidade:
Quantos sítios arqueológicos se encontram documentados?
Quantos foram alvo de projectos de investigação?
Quantos foram alvo de escavação arqueológica?
Qual a percentagem média de área de escavada?

Quantos foram alvos de projecto de valorização?
Quantos foram os sítios arqueológicos restaurados, incluídos em Rotas e Percursos, sinalizados, integrados em museus, em eco-museus, centro interpretativos?
Qual o número de visitantes? aumentou? diminuiu?
Quantas visitas foram guiadas?
Quantos foram os eventos/acções?
Quantas crianças o visitaram?
É usado pela população local?
Qual a sua fruição e de que forma é vivido?
Qual o seu estado de conservação?
Quantos têm manutenção? Qual a regularidade?
Qual o número de actos de vandalismo (voluntário e involuntário)? Em que tipologia de sítio arqueológico?

Quantos são os impulsionadores desses projectos? Quantos deles são museus, autarquias, instituições, institutos públicos (Universidades, Ministério da Cultura), associações locais e regionais?
Quantas pessoas estão envolvidos no projecto?
Quantas pessoas envolvidas resultam de consultas feitas à população local?
Qual a percentagem de participação pública?
Quantos são os projectos com parcerias?
Quantos intervenientes trabalharam em rede local ou regional?
Quantos projectos foram a consulta pública?

Quantos artigos cientificos foram publicados?
Quantos materiais para a divulgação foram feitos? Chegaram a quantas pessoas?
Quantos projectos tiveram em conta o saber, os gestos, o legado e tradições das populações locais?
Quantos projectos potenciam a identidade cultural de populações locais?


Chegámos à conclusão que não há, no presente, como fazer uma análise, muito menos um diagnóstico! Não existe um fio condutor, não existe uma gestão integrada, se assim fosse já tinhamos indicadores; a evolução da cena, parece-nos orgânica e desajustada.

(Fotos gentilmente cedidas pelo Dr. Luís Luís)

A Linha do Tua - Há coisas que não se entendem, ou entendem?

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Notícia de 30 de Julho na SIC.
Numa conjuntura em que se fala da profunda desertificação de regiões de interior. Numa conjuntura em que se aplaude o uso dos transportes públicos, como forma de reduzir o número de carros, a quantidade de CO2 e por aí fora... De facto isto não se entende.

diz-me onde fica o Castro de Santos Idos

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-“olá! atão estás boa? olha tenho aqui umas pessoas que estão interessadas em ir ver o Castro de Santos Idos. diz-me como é que se vai para lá”
-“hum?”

-“estão aqui uns turistas franceses com um roteiro da região de turismo Dão-Lafões na mão. querem ir ao castelo romano de Santos Idos, diz-me onde é. É no Barro branco?”

-“eh pah… mas aquilo, aquilo não é fácil de dar. estás a ver aquela rua que segue para lá da cadeia? é para aí para baixo. mas olha, aquilo são caminhos cheios de mato… só se… espera, já sei! estás a ver a rua das traseiras da cadeia? há uns senhores de mais idade que vivem aí, eles sabem onde é e sabem a lenda do sino de oiro.”




-“mas estás a falar daquela rua que acaba em caminho de terra batida?”
“Sim mas olha que não imagines que tem lá muralhas ou coisa do género.”
-“ai não? mas aquilo vem no roteiro!”

“é um monte, cheio de mato. o dono daquilo morreu há poucos anos e está mais abandonado, está cheio de mato e podia ser um monte como outro qualquer! mas espera, são arqueólogos?”



“não! são turistas franceses… viram isso no livro de turismo que trazem e não falam português.”


O Castro de Santos Idos encontra-se Sul da vila de Sátão, num monte discreto entre outros mais altos, quase na base ocidental da Serra do Seixo Branco, com um domínio excelente sobre um pequeno vale abrupto da Ribeira do Sátão e sobre o sítio de Chão da Pedra já referido por nós aqui.



Lá encontramos uma longa plataforma ajudada a formar pelos socalcos (?). Ou será por muralha?







Os materiais cerâmicos que se encontram à superfície revelam uma ocupação humana muito interessante, muito provavelmente contínua, desde épocas proto-históricas até épocas medievais.



Os documentos escritos no papel existentes são apenas uma pequena dimensão do tempo; são escassos, esparsos.

Devemos então recorrer aos livros escritos no chão, folheando as camadas de terra, como se fossem páginas escritas pelo dia a dia de milénios. Apenas com um estudo aprofundado que integra muita consulta e escavação arqueológica criteriosa, possível em épocas mais secas e por isso continuada por vários anos, com análise e registo de dados, estudo de peças, contraposição de desenhos, como manda o “figurino”, poderíamos chegar a conclusões.
Nesta fase nada mais podemos, senão fazer perguntas:

---> O que leva à romanização desse possível povoado da Idade do Ferro? É mais comum encontrar assentamentos romanos em zonas mais abertas e de melhor acesso, mais próximas de vales férteis, de linhas de água. Por trazerem um estilo de vida novo, uma nova “ordem” administrativa, política e económica, uma nova realidade, geralmente, apostavam noutro género de assentamento.



---> Porque continuam a ocupar o mesmo espaço?
Ao manterem o mesmo espaço ao longo dos séculos terão mantido a mesma actividade económica? Qual? E em épocas declínio do império romano reorganizaram o espaço? Diminuíram-no ou aumentaram-no?





---> E nas guerras da reconquista, séculos depois? O Sátão teve Carta de Foral em 1111, justificada pela “arte de bem receber” Estaria aqui o núcleo urbano medieval onde viviam? Se não era o centro, as suas gentes não vieram para longe.



É de louvar a preocupação e atenção dos satenses, revista nesta funcionária municipal da conversa transcrita acima.



Seria de louvar se o Castro de Santos Idos tivesse também condição de receber o forasteiro que se interessa pelo Sátão. Era bom que o núcleo original que deu origem à vila, sede de concelho, fosse esse livro aberto…

Não se entende o que leva a região de turismo, que faz estes roteiros turísticos, a colocar na rota estes montes aparentemente vazios de significado, pertencentes a particulares e sem qualquer sinalização. E se o turista conseguiu lá chegar, por ser um incauto aventureiro aliciado pelas fortificações da Idade do Ferro, deparou com um monte abandonado à vegetação e sem qualquer estrutura acima do solo que indique que chegou ao seu destino.

Sustentabilidade, Desenvolvimento & Património Cultural

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Um Blog dedicado ao Desenvolvimento Sustentável e à sua articulação com o Património Cultural, seja ele material ou imaterial. Procuramos a ligação entre o Património Histórico, Arqueológico, Arquitectónico e Etnográfico com a sustentabilidade e a forma como eles podem constituir juntos uma ponte para a qualidade de vida e bem estar.

Queremos explorar de que forma a preservação de uma identidade cultural pode ser algo que nos faça sentir em casa e que nos faça rever no sítio em que vivemos, sempre em contínuo com o desenvolvimento local.
E não só: queremos descobrir que outras relações podem existir, para que o desenvolvimento (especialmente o local) se experimente, sem esquecermos quem somos, pelo do que já construímos no passado.
Por fim, sem procurar ser gananciosos, queremos que seja reconhecido o verdadeiro valor do património cultural enquanto 4º pilar da sustentabilidade, para que nos desenvolvamos sustentavelmente sem deixarmos de ser nós próprios, sem perder aquilo torna único um Local, uma Região, um País e uma Europa.
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