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Conheça a história do Concelho de Sátão. Ajude a preservar a sua Memória!




"Encontra-se em curso um trabalho exaustivo de identificação de sítios arqueológicos, o qual, até ao momento, nos revelou informações valiosas para o conhecimento das comunidades mais antigas que habitaram o território que constitui o actual concelho de Sátão. Exemplo que nos cabe mencionar, pelo seu elevado valor patrimonial e histórico, é o lugar onde actualmente se implanta a capela da Senhora do Barrocal, na povoação do Carvalhal.

Recentemente foram postos a descoberto uma inscrição medieval que consagra o local, pelo menos desde o século X. Apareceu ainda uma sepultura escavada na rocha, confirmando inequivocamente o carácter sagrado do local desde época medieval.

Parte da inscrição foi coberta com cimento e colocada num penedo, sobre uma lagareta. Sabemos que a inscrição poderá estar deslocada do seu lugar original. Convêm referir que ainda se encontra inédita, ou seja, não está publicada e não foi feita a leitura exaustiva do seu campo epigráfico. A sepultura escavada na rocha foi identificada pela primeira vez pela equipa de arqueologia, responsável pelo trabalho de levantamento arqueológico e foi posta a descoberto por outrém, sem que tivesse havido autorização por parte da entidade que tutela o Património histórico/arqueológico.


Além destas acções cabe-nos mencionar movimentações de solos que voluntariamente foram sendo feitas sem que tenham sido alvo de acompanhamento arqueológico. À superfície são visíveis inúmeros fragmentos de cerâmicas de época pré-histórica e medieval, muita telha, escória além dos inúmeros muros, muralha de pedra talhada relativamente conservado, abrigos naturais que poderão ter servido como lugares de refúgio ou de habitação permanente.
Questionamo-nos, toda a zona da capela sofreu beneficiação. Mas será beneficiação colocar em risco os vestígios arqueológicos e destruir o património que é de toda a comunidade? Já se ouve falar de muitos sítios arqueológicos, em outros pontos do país, que foram valorizados. Mas foram alvo de trabalhos devidamente enquadrados e devidamente autorizados pelo estado, como manda a lei.
Para que a valorização do património possa acontecer, a consciencialização deve começar na própria comunidade local, de forma a promover a participação das Pessoas na gestão do seu património arqueológico e histórico. Enquanto Comunidade temos o dever de ser social e culturalmente responsáveis pela manutenção e preservação do nosso património. Deste modo estaremos a contribuir para a sustentabilidade desta comunidade.
É de lamentar para o concelho e para as Pessoas desta comunidade a perda um património sacro único na região. Conhecermos a nossa historia permite-nos valorizar os nossos sítios /monumentos, um dos nossos mais valiosos bens, e legá-los de forma preservada aos nossos filhos e para que gerações vindouras possam usufruir da sua riqueza e beleza. "


Notícia a publicar em Março no Jornal A Gazeta de Sátão
Hugo Baptista
Ana Maria Carvalho
(arqueólogos)

5 comentários:

selma disse...

Gostei do túmulo na pedra...impressionante. Mas o que é aquilo por debaixo do túmulo? Riscas brancas em cimento? É um parque de estacionamento?

AC disse...

bom dia Selma! a foto foi tirada de cima... as riscas brancas são da cal que está entre as pedras da parede da capela. beijo e obrigada pelo comentário

r disse...

Não sabia desta sepultura, e eu que sou desta freguesia. Nem sabia que eras arqueologa. Eu que andei na escola contigo. Bom trabalho.

AC disse...

olá r! esta sepultura até deu uma polémica jeitosa... Já que fomos colegas era giro saber quem és. Obrigada e beijinhos

AlvorSilves disse...

Descobri acidentalmente o seu blog... parabéns e boa sorte!
Quanto a polémicas... imagino que sim!
Tenho muitas dúvidas que seja medieval d.C, e muitas suspeitas que seja medieval a.C.
Há uma história antes de Herculano, submersa depois dele, essa história contada numa Academia de Humildes e Ignorantes,
http://alvor-silves.blogspot.com/2010/06/academia-dos-humildes-e-ignorantes.html
fala de um país que nunca nos foi contado, nem mesmo como mito ou fábula.
As estórias de Rei Túbal, de uma Lusitânia de Centum Cellas, ou de uma Tartéssia de navegadores atlânticos, são páginas arrancadas à nossa cultura, e cujo preço é a estabilidade do mundo pós-Vestfália.
Por isso, minha cara, as polémicas que parecem coisas comezinhas e parvas, podem também ser problemas gigantescos - mas o que podem saber os humildes e ignorantes?
Fascinante o E E...
Cumprimentos.

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