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Olaria de Beringel - quase desaparecida

Hugo Baptista traz-nos mais uma reportagem do Alentejo, desta vez sobre Beringel e suas Olarias, quase desaparecidas.

Boa Hugo!

"Gostaria partilhar convosco algumas das fotos que espelham a outrora pujança dos barros de Beringel. Trata-se de uma actividade que, durante a década de 50, contava com mais de 60 oleiros, resumindo-se actualmente a uma única oficina do senhor António Mestre (Olaria António Pombinho Mestre)
Ainda hoje persiste um telheiro que labora, no qual convivem um misto de inovações técnicas e conhecimentos antigos. Nos telheiros construía-se o tijolo burro, a telha de meia-cana, o ladrilho, materiais de construção tão usuais na arquitectura tradicional no Sul. 



Também observámos alguns fornos de cal, em desuso e em avançado estado de ruína, que mereciam um destino digno, já que estes foram importantíssimos para o processo de caiação, tão típico do Alentejo e no qual a mulher assumia total destaque.

Completado o registo gráfico e fotográfico possível na olaria do mestre António, e em algumas interpelações de mestres reformados na vila de Beringel, deparamo-nos que dispomos de um vastíssimo conjunto de dados, passíveis de serem estudados e divulgados. Cremos que, de certa forma, poderão reavivar tanto o estímulo por essas artes, como ser um contributo para uma investigação concreta, no que toca às actividades económicas que as populações de Beringel desenvolveram ao longo de séculos e que merecem ficar salvaguardadas para as gerações vindouras.



Estou ao vosso dispor para vos guiar a estes lugares bem como receptivo às vossas sugestões.
Para terminar e como forma de evidenciar o protagonismo da cerâmica fabricada em Beringel, partilho convosco esta moda, retirada do Cancioneiro Alentejano."

Cantarinhas de Beringel

Cantarinha de Beringel
de fresco barro encarnado
da água doce fazes mel
da fresca doce gelado
ai e essa tua esbelteza
que uma tal graça encerra
foi roubá-la a Natureza
prás moças da minha terra.

Cantarinha de Beringel
minha linda cantarinha
pequenina graciosa
delicada donairosa
ai toda tão maneirinha
as moças da minha terra
modeladas a cinzel
pequeninas delicadas
são como tu engraçadas
cantarinhas de Beringel.

Quando o sol no horizonte
vai morrendo p’la tardinha
lá vai a moça prá fonte
à cabeça a cantarinha
ai a moça é tão formosa
qual bonequita de louça
mas não sei qual mais airosa
se a cantarinha se a moça.

Relembro que temos por cá um espaço para a PARTILHA entre todos. Para ser construído ele precisa de si. Seja um actor connosco. Seja nosso parceiro em valorizar quem somos, em mostrar quem somos: Seja mais um  aGente do Património.

Queremos que esta pasta seja como uma janela do olhar sobre o património. Que transmita vivência e percepção que as pessoas têm do património. O pano de fundo é o desenvolvimento, é a qualidade de vida, é o por dos pés na nossa terra, é o assentar nas nossas raízes... Participe!
Entre em contacto pelo e-mail: patrimonio.sustentabilidade@yahoo.com



2 comentários:

hugobaptista disse...

também tenho um trabalho, singelo, ácerca do uso da taipa como técnica construtiva no Sul, o qual terei todo gosto partilhar convosco. Relembro que se trata de uma técnica que poderá remontar ao Neolitico segundo vestígios detectados no Proximo Oriente mas no território português essa terá mais visibilidade no registo arqueológico no período do Ferro.

boas leituras,

AC disse...

Hugo... agradeço todas as contribuições que possas dar!! Venha o uso da Taipa ;) é importante aqui para o nosso cantinho ter perspectivas variadas e de pessoas várias... o teu contributo tem sido excelente! O património merece! beijos e obrigada

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