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À jorna

Já lhe falei do Castro de Monte Padrão, com 3 ocupações distintas, aqui, aqui e ainda aqui. Hoje venho falar novamente do sítio, mas sob outra perspectiva.
Carlos Faya Santarém foi o responsável pela escavação arqueológica, entre 1951 e 1956, na face Norte da plataforma superior do castro do Monte Padrão, onde foram intervencionados dois edifícios de época romana, uma casa circular da Idade do Ferro e parte da muralha.


Na altura a metodologia era outra (tudo tem a sua época), mas os instrumentos repetem-se. Ainda hoje nos valemos de picaretas, enxadas e outros que tais. Existem, claro, outros menos agressivos, seja para o registo mais detalhado, seja para as costas; como é o caso do colherim ou do pincel.

Fora de época poderão parecer estas mulheres, que à jorna, auxiliaram as escavações, pegando em enxadas e carregando baldes de terra. Mas a mulher nos anos 50 já sujava as mãos de terra e já se agarrava às lides do campo, ganhando o seu dia e o seu copo de vinho também. 
Estas senhoras tiveram a sorte de mexer, de tocar, de ver de perto como viveram os seus antepassados. Quantas histórias teriam para contar! Eu gostava de as ouvir!




O que é engraçado é que as(os) Arqueólogas(os) também trabalham à jorna, também ganham ao dia, debaixo do mesmo sol, mas com algumas diferenças. Fazem-no depois de muitos anos atrás de qualificações académicas, passam recibo verde, estão longe de casa e sem direito, na generalidade dos casos, a uma bucha.

Fotos por AC tiradas aos painéis explicativos, que se encontram no Castro de Monte Padrão

2 comentários:

Rafael Carvalho disse...

Achei interessante o texto.
Ao nível da prospecção a coisa terá evoluído bastante, nomeadamente com a introdução de métodos geofísicos.
Quanto à escavação, lá teremos de continuar a usar a força humana...
Cumprimentos.

AC disse...

A metodologia de escavação está muito diferente, até porque os propósitos são outros... muito para além da estrutura que se encontra debaixo de terra, temos em conta elementos, que nos trazem possibilidade de saber mais afincadamente o que era a vida quotidiana das comunidades.
Sim ainda escavamos a braço, mas a prospecção geofísica regra geral, quando utilizada, é uma ajuda (por vezes também pode ser um engano) para a a escolha do local específico para escavar. De qualquer das formas é sempre bom por as mãos na terra :)
Cumprimentos

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