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Comércio Delicado - Manifesto


"Ser consumidor e ser cidadão são actos absolutamente compatíveis. Eu acredito que consumir é, aliás, um acto político que praticamos todos os dias."

(...)

Começa assim o artigo de hoje do Diário Económico. Afinal o que é o comércio delicado?

(...)
"Um novo comércio que atende ao saber e também ao saber fazer, valoriza a manufactura, admite a pequena escala, prefere a qualidade, aprecia a tradição e admira a perfeição.

Um novo comércio que vê nos seus fornecedores parceiros, que os considera e os entusiasma, que negoceia justo e com eles constrói uma relação duradoura e de confiança pois compreende que trabalhamos juntos para benefício mútuo e pelo bem comum.

Um novo comércio que quer partilhar com o seu público um produto mas também uma história, uma identidade, uma experiência única e diferente que nos enriquece a vida.
Um novo comércio que se sente parte do seu local e e da sua comunidade e por isso, sempre que a opção se apresenta prefere o que é português e o mais local possível, evitando custos ambientais de transporte, porque também se sente parte do mundo.

Um novo comércio que acredita que se pode comprar menos e melhor, opta por mercadoria útil e durável e sabe que valorizar um produto é a melhor forma de impedir o desperdício.

Um novo comércio que abraça causas sem medo porque é livre e para quem a mais excitante das obrigações é o dever de contribuir para melhorar o nosso mundo - e isso começa em nós.

Um novo comércio que tem o atrevimento de pensar que pode regenerar centros históricos desfalecidos e reinventar lugares esquecidos, se empenha em preservar o património com escrúpulo e desvelo e é capaz de provar que isso é rentável.

Um novo comércio que respeita o seu cliente, empenhando-se num serviço atento, oferecendo conhecimento e propondo preços justos.

Um novo comércio que acredita na capacidade de produção e na qualidade nacionais por princípio, estimulando uma e outra, porque sem isso não há país que sobreviva - como o momento presente demonstra de forma eloquente.

Um novo comércio que acredita em Portugal também porque percebe o potencial extraordinário da produção delicada nacional, seja na faiança, nos sabonetes, nos vinhos, nos azeites ou na flor de sal, para citar apenas casos óbvios.

Um novo comércio que não tem a obsessão de se multiplicar para se tornar omnipresente, antes prefere criar redes, nacionais e internacionais, com parceiros semelhantes reforçando assim os nichos de mercado em que opera numa escala global.

Um novo comércio que acredita que olhar para trás também é uma forma de ver o futuro e que a modernidade tem a ver com a atitude e o olhar e não forçosamente com a novidade.

A esse novo comércio somos já vários a chamar o comércio delicado. E a provar que ele é não só possível como economicamente viável. Com os pés muito bem assentes na realidade mas sim, com o idealismo à solta, livre como um bando de andorinhas."
(...)
Ler o artigo na íntegra, clicando aqui.

O sublinhado é feito por mim, porque aí reside uma parte do objectivo aqui no Património & Sustentabilidade. 
 
Este artigo reflecte, entre outras coisas, um pouco daquilo em que acredito. Que podemos nos desenvolver, pensando em quem somos, quem fomos, valorizando e revitalizando o património construído, valorizando os nossos saberes, que já vêm da experimentação e vivência de gerações anteriores. É um desenvolvimento sustentável, com identidade, com qualidade de vida e bem estar.
Aqui entendemos um pouco do porquê do património cultural dever constituir-se como 4º pilar da sustentabilidade.
 
 
Muitos parabéns à Catarina Portas, autora do artigo, e empresária. Conheça ainda A Vida Portuguesa, uma loja encantadora, em Lisboa e no Porto, que vende produtos portugueses que "sempre estiveram nas nossas vidas", com marcas que sobreviveram ao tempo, revalorizando a qualidade da produção portuguesa, revelando um país surpreendente! (clique para saber +)

2 comentários:

Rafael Carvalho disse...

Relativamente à "Vida Portuguesa", para quem não conheça recomendo para além do blogue também uma visita ao sitio oficial http://avidaportuguesa.com/. No mesmo âmbito, também recomendo http://www.feitoria.com.pt/pt/
Cumprimentos.

AC disse...

Olá Rafael,
excelente! Muito obrigada!
Cumprimentos

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